É possível recuperar uma relação em crise
Quando o casamento está em crise, os casais em dificuldades raramente pedem ajuda.
Questionamo-nos, então: como reparar uma relação em crise?
Comunicação reduzida ao mínimo, um sentimento de fracasso pessoal que se estende à relação com o cônjuge, valores familiares em ruínas, baixa autoestima, expectativas e perspetivas de vida diminuídas, ressentimento, confusão e culpa – estes são os estados de espírito que frequentemente afligem aqueles que vivenciam o “fim de um casamento em crise”.
Na sociedade atual, a literatura, o cinema, a televisão, etc., propõem insistentemente um modelo de casamento com fáceis caminhos para o divórcio: “… casa-se para satisfação pessoal. Deve permanecer-se juntos enquanto houver bem-estar, sem esforço, satisfação e felicidade. Se o sofrimento começar, é legítimo procurar satisfação noutro lugar. O compromisso da fidelidade está obsoleto. A solidão não se deve tolerar. Quando as coisas se tornam insuportáveis, existe o divórcio. O amor é apenas um sentimento, pelo que, se não se o sente, significa que o casamento morreu.”
No entanto, nós, que podemos testemunhar como superar uma crise conjugal, muitos de nós em situações verdadeiramente difíceis, até já em separação e divórcio, entendemos que essa própria maneira de pensar é, na realidade, uma das principais causas da crise do casal.
As principais causas das crises conjugais
Existem muitas razões que levam um casal à crise conjugal:
– Falta de comunicação e diálogo eficazes;
– Desilusão, expectativas frustradas;
– Escolhas de vida que contradizem um projeto de vida comum;
– Influência da família de origem na relação do casal;
– Infidelidade cometida ou sofrida;
– Problemas de dependência (drogas, álcool, jogos de azar, pornografia…);
– Manter interesses e hábitos que excluem o cônjuge, como se estivesse a viver como um solteiro, mesmo estando casado.
Estas são algumas das possíveis causas da crise de um casal que vive num estado de “sofrimento permanente” e agora se orienta para uma vida resignada à tolerância mútua, se não já para a separação e o divórcio.
“Entre marido e mulher não se mete a colher”?
O problema mais comum é a solidão: muitos casais vivem sem uma rede de apoio familiar ou de amigos, ou pensam que o casamento é “só entre os dois”, que é um assunto privado, que “tudo precisa de ser resolvido em casa”.
Na maior parte das vezes, os casais tendem a esconder as suas dificuldades até mesmo das pessoas mais próximas (pais, familiares, amigos), e a crise da relação conjugal permanece oculta, invisível e distante. Quando a relação se degrada, os cônjuges em dificuldades fingem que está tudo bem, escondem a verdade de um casamento fragilizado. Mantêm também os outros afastados dos seus problemas porque querem sentir-se parte de um grupo e temem a rejeição e o julgamento negativo.
Alguns casais fizeram cursos para noivos e outras formações da Igreja Católica
e perguntam-se: “Como é que isto nos aconteceu?”. Eles próprios sentem-se impotentes e assustados com a crise e as suas consequências para a relação conjugal. Muitas vezes, nem conseguem perceber como é que a crise começou e qual é o verdadeiro problema. Mas, a determinado momento, um dos cônjuges explode ao perceber a ausência do outro na sua vida. Forma-se, então, uma barreira de incomunicabilidade entre os dois, e a comunicação dentro do casal perde-se completamente.
Perante este sofrimento, quando se sabe dele, como amigos ou familiares, muitas vezes não sabemos como reagir perante o casal que está a passar por esta situação. Até mesmo os sacerdotes (e outros ministros do culto) não sabem que conselhos dar, nem o que fazer diante de tanto sofrimento.
Quando uma crise conjugal começa, é muito fácil que se instalem atitudes negativas nos pensamentos das pessoas, em que cada pessoa se passa a ver, a si e ao outro apenas em termos problemáticos e negativos, repetidamente, às vezes até de forma obsessiva. A outra pessoa é vista como um adversário, um inimigo, que me magoou e em quem não posso mais confiar.
No programa Retrouvaille, as pessoas aprendem gradualmente a tomar consciência dos seus próprios sentimentos e dos pensamentos que obscurecem as suas mentes, bem como das atitudes que adotam como resposta às situações. Desta forma, descobrem a sua própria possibilidade de mudar atitudes e a possibilidade de melhorar a comunicação e torná-la mais eficaz na sua relação.
Mudar atitudes é possível. Nós, casais “curados” com a ajuda das ferramentas do programa Retrouvaille, testemunhamos isso mesmo e convidamos outros a fazê-lo. Os benefícios que o indivíduo e o casal obtêm com isso são incalculáveis, em todos os seus relacionamentos.
Quando uma boa relação é reconstruída entre os dois cônjuges, recuperando a reconciliação e a intimidade, o casal pode planear, em conjunto, como resolver os problemas que encontrar pelo caminho.
Os casais do Retrouvaille, “curadores feridos”, através do seu serviço, demonstram como podemos curar uma ferida grave que causámos ou que sofremos do nosso cônjuge. Ajudam-nos, assim, a salvar um casamento em crise.
Mesmo que pensemos que a confiança está irremediavelmente perdida, podemos reconstruí-la sobre uma base mais sólida e segura.
Os “curadores feridos” testemunham que podemos aprender a manter uma atitude interior positiva em relação à vida e ao fluxo inevitável de problemas e soluções que a acompanham.
Mesmo quando os problemas são muito sérios e a situação parece desesperante, o Retrouvaille oferece um caminho para a clareza, para se reavaliar a si mesmo e ao cônjuge, para restaurar a dignidade da relação do casal e alcançar a reconciliação, na esperança de reconstruir uma felicidade possível e concreta a dois, mesmo em casos considerados destinados ao fracasso.
O fim de um casamento? Como salvar um casamento em crise?
Um casal disse: “Muitos de nós, casais que reconstruímos a nossa relação através das ferramentas oferecidas pelo programa Retrouvaille, passámos por aquele momento em que dissemos a nós mesmos e um ao outro que era o fim do casamento. Mas será mesmo verdade que a crise inevitavelmente marca o fim da relação?”
Descobrimos que uma crise pode ser um momento doloroso de romper com os hábitos adquiridos na relação, um momento de revisão completa, onde a evidência de traição, uma situação de dependência de um ou de ambos os cônjuges, ou um estado de desespero constante, nos diz que “não podemos mais continuar assim… acabou”.
Essa vontade de pôr fim ao sofrimento, de MUDAR, é na verdade algo muito positivo que nos impulsiona a fazer algo, a agir, a procurar uma solução para a crise do casal.
Descobrimos que precisamos de dizer a palavra “fim” e de recomeçar, não o fim do casamento, mas, sim, o fim daqueles comportamentos e atitudes que levaram a nossa relação a deteriorar-se, resultando numa separação legal ou numa separação de facto, continuando a viver juntos infelizes e sem esperança.
Como salvar um casamento em crise
Testemunhamos que é possível voltar a confiar um no outro, a perdoar após uma traição, a reencontrar-se e a redescobrir a comunicação e o diálogo como casal, com a ajuda das ferramentas que o Retrouvaille nos ensinou e com o apoio da comunidade, com o apoio de casais que já enfrentaram e souberam como resolver problemas conjugais quando a relação se desfaz.
Resolver problemas de casal
Os problemas e as crises nas relações são inevitáveis. Alguns podem ser evitados, outros surgem inesperadamente.
A boa notícia é que, para cada problema, existe uma solução.
Todos os dias prometo a mim mesmo que não tentarei resolver todos os problemas da minha vida de uma só vez. E não esperarei que tu faças isso.
Vamos enfrentá-los um de cada vez.
Leo Buscaglia – “UM COMEÇO” – “Viver, Amar e Compreender” https://cdn.bookey.app/files/pdf/book/pt/viver–amar-e-aprender.pdf
Tentar após o afastamento, o abandono, a separação ou o divórcio
Será que a separação e o divórcio são realmente a única solução para um casamento em crise?
As causas do afastamento, do abandono, da separação e do divórcio são várias. Incapacidade de manter uma comunicação e um diálogo eficazes em casal devido à desilusão, à dor, à indiferença. E também: falta de desejo pelo parceiro, escolhas de vida que já não fazem sentido, infidelidade cometida ou sofrida, problemas com dependências, etc. Ou ainda situações profundamente enraizadas e crónicas em que, com muita frequência, socialmente se apoiam escolhas que dão prioridade à autonomia e à autogratificação. Por exemplo: “… se sofre, elimine a causa da sua dor na sua vida…” ou “se a paixão acabou, o amor também acabou”.
O número de separações e de casais separados com filhos tem aumentado, e o sofrimento dos envolvidos é indescritível. Muitas vezes, os cônjuges vivenciam um verdadeiro fracasso pessoal, a crise do casamento. Hoje em dia, é quase comum dizer adeus após seis meses ou sessenta anos de vida juntos. Separação e divórcio são opções reais para qualquer casamento na maioria das religiões e em quase todos os países do mundo. Um dia, alguém afirmou: “Talvez o casamento tenha sido inventado no céu, mas certamente exige muito trabalho aqui na Terra.”
Cerca de 80% dos casais que participaram do programa Retrouvaille experimentaram benefícios tangíveis ao abandonar a situação de separação em que viviam ou estavam prestes a viver.
Nós, os casais do Retrouvaille, testemunhamos que é possível tentar novamente após a separação ou o divórcio.
Como casal, vivenciámos crises conjugais e separação, e graças ao programa Retrouvaille, superámos a crise e reconstruímos a nossa relação. Podemos testemunhar que tentar novamente após a separação e o divórcio, e essa esperança de restaurar a relação, também é contagiante para os nossos filhos. Os nossos filhos redescobrem o significado e valores construtivos. Isso oferece esperança aos nossos pais, familiares e amigos e, de forma mais geral, demonstra que não existe uma única resposta (separação e divórcio) para uma crise da relação conjugal, mas, sim, que é POSSÍVEL encontrar uma resposta diferente, construtiva tanto pessoal quanto socialmente.
Testemunhamos que a nossa reconciliação trouxe melhorias não apenas para as nossas vidas pessoais e conjugais, mas também para a vida de todos os que nos rodeiam. O testemunho que podemos oferecer é o de que podemos permanecer unidos, mesmo em tempos difíceis. O perdão e a reconciliação são possíveis, e os nossos filhos, todos os que nos conhecem e os casais em crise que tomarem conhecimento da nossa história poderão inspirar-se nela e adotá-la. É por isso que também estamos dispostos a partilhá-la publicamente neste site, em revistas, jornais, na televisão…