O Papa Bento XVI dirigiu um discurso aos participantes no Encontro Internacional do Retrouvaille, em 26 de setembro de 2008.
Refletindo sobre a vossa atividade, mais uma vez reconheci o “dedo” de Deus, ou seja, a obra do Espírito Santo que suscita na Igreja respostas adequadas às necessidades e às emergências de todas as épocas.
Nos momentos mais obscuros, os cônjuges perderam a esperança; então, há necessidade de outros que a conservem, de um “nós”, de uma companhia de verdadeiros amigos que, com o máximo respeito, mas também com o desejo sincero do bem, estejam prontos a compartilhar um pouco da sua esperança com quem a perdeu. Não de modo sentimental ou volúvel, mas organizado e realista.
O vosso é um serviço “contra a corrente”. Com efeito, hoje quando um casal entra em crise encontra muitas pessoas prontas a aconselhar a separação. Até aos cônjuges unidos em nome do Senhor é proposto com facilidade o divórcio, esquecendo que o homem não pode separar aquilo que Deus uniu (cf. Mt 19, 6; Mc 10, 9).
O Papa Francisco recebeu, em audiência, o Retrouvaille, no dia 6 de novembro de 2021.
E identifico-me com a vossa experiência, que convida a considerar a crise como oportunidade, sim, uma oportunidade dolorosa, mas uma oportunidade, neste caso uma oportunidade para dar um salto de qualidade na relação. Na Exortação Amoris Laetitia, há uma parte dedicada às crises familiares (cf. n.os 232-238). E aqui gostaria de acrescentar imediatamente outra palavra: feridas. Pois as crises das pessoas causam feridas, produzem chagas no coração e na carne. “Feridas” é uma palavra-chave para vós, faz parte do vocabulário diário de Retrouvaille. Faz parte da vossa história: com efeito, sois casais feridos que passaram pela crise e sararam; e exatamente por isso sois capazes de ajudar outros casais feridos. Não saístes, não vos afastastes na crise — “isto não funciona… volto para a casa da mãe” — enfrentastes a crise e procurastes uma solução.
Este é o vosso dom, a experiência que vivestes e pusestes ao serviço dos outros. Agradeço-vos muito por isto. É um dom precioso, tanto a nível pessoal como eclesial. Hoje há muita necessidade de pessoas, de cônjuges que saibam dar testemunho de que a crise não é uma maldição, faz parte do caminho e constitui uma oportunidade. E também nós, sacerdotes e bispos, devemos seguir este caminho, mostrar que a crise é uma oportunidade. Caso contrário, seríamos sacerdotes ou bispos fechados em nós mesmos, sem um verdadeiro diálogo com as outras pessoas.
Nos 50 anos do Retrouvaille, em 2027, o Papa Leão XIV reunirá com o casais e sacerdotes do Retrouvaille.