Atualmente, mais importante do que uma pastoral das falências é o esforço pastoral para consolidar os matrimónios e assim evitar as ruturas. Amoris Laetitia (n.º 307)
Todos os casais, de todas as idades e com diferentes anos de casados, passam por crises, por momentos difíceis, podendo chegar ao afastamento, à rutura, à separação, ao abandono, ao divórcio. Esta é uma realidade dentro e fora da Igreja, em todas as latitudes. Porém, o afastamento dos membros do casal não é uma inevitabilidade, mesmo quando se pensa que já nada há a fazer.
Nunca é demais salientar que «[…] a experiência mostra que, com uma ajuda adequada e com a ação de reconciliação da graça, uma grande percentagem de crises matrimoniais é superada de forma satisfatória. Saber perdoar e sentir-se perdoado é uma experiência fundamental na vida familiar» (AL, n.º 236).
Retrouvaille é uma resposta pastoral para os casais em crise ou que desejam melhorar a sua relação (não apenas para casais com o sacramento do matrimónio, mas também outros que precisam de ajuda). Este programa estende-se a casais que acabaram por se separar, divorciar e que pretendem ajuda para reconstruir o seu vínculo. A tensão e o mal-estar no casal, a separação ou o divórcio não são irreversíveis. O Retrouvaille conta com milhares de testemunho de casais em todo o mundo que, com esta ajuda, conseguiram superar as dificuldades de relação e reconstruir a sua relação, mesmo em casos em que não se esperava que isso fosse possível (degradação da relação, dependências, problemas com famílias de origem, infidelidade, em processo de nulidade matrimonial, divorciados há bastantes anos…).
A aceitação cada vez maior do divórcio na nossa sociedade leva a que, muitas vezes, os casais nem cheguem a pedir ajuda quando sentem dificuldades na relação conjugal ou, quando o façam, a ajuda sugerida por amigos, famílias ou comunidades religiosas seja um apoio limitado para a especificidade da crise conjugal.
Acompanhar os casais na crise conjugal é essencial. Para isso, é necessário que haja ajuda concreta, compreensiva, empática, próxima, confidencial e realista.
Os Itinerários Catecumenais para a Vida Matrimonial (2022) reforçam a necessidade de um serviço pastoral de acompanhamento de casais em crise.
É aconselhável que a paróquia ou a comunidade disponham de um serviço pastoral de acompanhamento de casais em crise, ao qual possam recorrer aqueles que perceberem que estão nesta situação particular; revela-se “particularmente urgente um ministério dedicado àqueles cuja relação matrimonial se rompeu”.
Após o binómio “crise-feridas”, gostaria de compartilhar outra palavra, que é “chave” na pastoral familiar: acompanhar. Foi uma das palavras mais importantes no processo sinodal de 2014-2015 sobre a família, da qual saiu a Exortação Amoris Laetitia (cf. n.os 217, 223, 232-246). Acompanhar. Naturalmente isto diz respeito aos pastores, faz parte do seu ministério; mas envolve em primeira pessoa também os cônjuges, como protagonistas de uma comunidade que “acompanha”. A vossa experiência dá testemunho específico disto. Uma experiência que nasceu “de baixo”, como muitas vezes acontece quando o Espírito Santo suscita na Igreja renovadas realidades que respondem a novas exigências. Assim foi para “Retrouvaille”. Perante a realidade de tantos casais em dificuldade ou já divididos, a resposta é, antes de tudo, acompanhar.
Papa Francisco em audiência ao Retrouvaille (6 de novembro de 2021).
O programa Retrouvaille foi apresentado como uma boa prática pastoral no X Encontro Mundial das Famílias, no Vaticano, no dia 23 de junho de 2022.
É possível pôr só a parte em que o casal fala?